domingo, 12 de fevereiro de 2017

Gestantes brasileiras precisam de suplementos de iodo?

No início de 2017, a American Thyroid Association publicou nova diretriz para diagnóstico e manejo das doenças tireoidianas durante a gestação (1). Entre outros tópicos, a seção IV deste documento aborda aspectos nutricionais relacionados a suficiência de iodo. A recomendação número 6, sugere a suplementação universal com 150 mcg de iodeto de potássio por dia a toda gestante, devendo idealmente ser iniciada 3 meses antes da concepção. Mas seria esta recomendação apropriada para a população brasileira?



A suplementação de iodo é uma medida de saúde pública. E infelizmente cerca de um terço da população mundial apresenta algum grau de carência. Não é o caso do Brasil, segundo dados da Iodine Global Network (IGN) (2). Cerca de 90 por cento do iodo é livremente filtrado através da urina. Logo a monitorização da concentração de iodo na urina, apesar de não ser um bom exame para avaliar pacientes individualmente, é uma ferramenta extremamente útil para estimar a suficiência de iodo em diferentes populações. A mediana urinária de excreção de iodo no Brasil é de 304 mcg/L (levantamento de 2008-2009). A Organização Mundial da Saúde considera uma excreção urinária de iodo entre 100 e 299 mcg/L apropriada. Logo, como população, consumimos iodo demais! Tanto que no ano de 2013, a quantidade de iodo no sal foi revista no Brasil. Reduziu-se de 20 a 60 mg/kg para 15 a 45 mg/kg.
Apesar da suficiência de iodo poder variar geograficamente dentro de um mesmo território, no Brasil, ainda segundo a IGN, o sal iodado está presente em mais de 95 por cento dos lares. Isto é, apesar da grande extensão territorial e das diferenças culturais, o acesso ao iodo está garantido em quase totalidade dos lares brasileiros.
Poucos estudos avaliaram a suficiência de iodo em populações de gestantes no Brasil (3). Apesar de sugerirem insuficiência de iodo leve a moderada, a amostra extremamente limitada não é capaz de representar a realidade brasileira a ponto de servir para ajudar a traçar medidas de saúde pública.
Além disso, praticamente toda a evidência que associa deficiência leve a moderada de iodo durante a gestação a deficiências neurológicas leve da prole, como redução de QI, vem de estudos observacionais (4). Até o momento, nenhum ensaio clínico demonstrou que a suplementação de iodo durante a gestação seja capaz de melhorar qualquer desfecho materno fetal robusto. Apenas desfechos substitutos como volume tireoidiano ou dosagem de tireoglobulina foram avaliados (5). Logo, podemos concluir que a suplementação de iodo feita de rotina para toda gestante brasileira trata-se de uma intervenção que carece de respaldo epidemiológico e clínico.
Talvez, algumas gestantes advindas de áreas historicamente deficientes de iodo e sem acesso ao sal iodado, bem como algumas outras mulheres com padrões alimentares restritivos em sal, grãos e lácteos, possam se beneficiar de suplementação de iodo, por apresentarem um risco maior de deficiência grave, situação na qual, há evidência de que a suplementação seja efetiva na prevenção de desfechos graves como o cretinismo (6). 

Referências:
1- Alexander EK, Pearce EN, Brent GA, Brown RS, Chen H, Dosiou C, Grobman W, Laurberg P, Lazarus JH, Mandel SJ, Peeters R, Sullivan S. 2016 Guidelines of the American Thyroid Association for the Diagnosis and Management of Thyroid Disease during Pregnancy and the Postpartum. Thyroid. 2017 Jan 6. doi: 10.1089/thy.2016.0457.
2- http://www.ign.org/ acessado em 15 de janeiro de 2017.
3- Ferreira SM, Navarro AM, Magalhães PK, Maciel LM. Iodine Insuficiency in pregnant women in São Paulo. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2014 Apr;58(3):282-7.
4- Bath SC, Steer CD, Golding J, Emmett P, Rayman MP. Effect of inadequate iodine status in UK pregnant women on cognitive outcomes in their children: results from the Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC). Lancet. 2013;382(9889):331. 
5- Glinoer D, De Nayer P, Delange F, Lemone M, Toppet V, Spehl M, Grün JP, Kinthaert J, Lejeune B. A randomized trial for the treatment of mild iodine deficiency during pregnancy: maternal and neonatal effects. J Clin Endocrinol Metab. 1995;80(1):258.
6- Boyages SC, Halpern JP, Maberly GF, Eastman CJ, Morris J, Collins J, Jupp JJ, Jin CE, Wang ZH, You CY. A comparative study of neurological and myxedematous endemic cretinism in western China. J Clin Endocrinol Metab. 1988;67(6):1262. 


Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576 - RQE 22.991

Dr. Rafael Selbach Scheffel
 Médico Endocrinologista
CREMERS 30.011 - RQE 19.512

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Deficiência de vitamina D: o básico que você precisa saber

O que é a vitamina D?

A vitamina D é uma vitamina solúvel em óleo que possui uma série de funções importantes no organismo:
– ajuda na absorção do cálcio e do fósforo pelo intestino;
– regula a função das paratireoides, glândulas responsáveis pela regulação do metabolismo ósseo.
Através dessas funções a vitamina D mantém normais os níveis de cálcio e fósforo no sangue. Além disso, a vitamina D é importante para manter a função do sistema muscular e do sistema imune, ajudando a evitar quedas e infecções.




A vitamina D é produzida pela pele quando exposta a luz solar. A produção de vitamina D depende da cor da pele, da idade e do tempo de exposição ao sol. Pessoas idosas, com cor de pele escura e nos meses de inverno, produzem menos vitamina D.
A vitamina D também pode ser ingerida através dos alimentos como derivados lácteos enriquecidos (sempre verificar o rótulo), peixes gordurosos como o salmão, óleo de fígado de bacalhau e ovos (estes em bem menor quantidade).

Quais as causas de deficiência de vitamina D?

A baixa ingestão de alimentos ricos em vitamina D e a baixa exposição solar são as principais causas. Contudo, devido ao risco aumentado de câncer de pele, a exposição solar não é considerada a melhor opção de reposição de vitamina D, principalmente para crianças.
Algumas vezes, a alimentação e exposição solar são apropriadas, mas mesmo assim a deficiência ocorre. Nestes casos deve se desconfiar de problemas no fígado ou intestino, que dificultem a absorção da vitamina D, ou ainda, doenças renais que impedem a ativação da vitamina.

O que a deficiência de vitamina D pode causar?

A deficiência de vitamina D pode levar a queda dos níveis de cálcio e fósforo no sangue e enfraquecimento dos ossos (raquitismo na criança e osteomalácia no adulto). Além disso, níveis menores de deficiência, ou insuficiência, são extremamente comuns. A insuficiência de vitamina D pode levar a osteopenia, osteoporose, quedas e, consequentemente, fraturas.

Como é feito o diagnóstico da deficiência de vitamina D?

O diagnóstico é extremamente simples. Basta dosar a vitamina D no sangue (25 hidroxivitamina D). Se os níveis estiverem acima de 30 ng/mL, está tudo normal. Se estiverem abaixo, pode haver insuficiência ou deficiência.

Quem deve fazer o exame?

Pacientes idosos, acamados, com história de doenças ósseas ou fraturas e com baixos níveis de cálcio, devem dosar a vitamina D. Outros grupos também podem se beneficiar da dosagem conforme avaliação do médico endocrinologista.

Como é feito o tratamento da deficiência de vitamina D?

O tratamento também é simples e depende do grau de deficiência e dos problemas de saúde apresentados pelo paciente. É feita a reposição de vitamina D via oral com reavaliação do exame de sangue dentro de 3 meses.

Como prevenir a deficiência de vitamina D?

A prevenção pode ser feita com ingestão de vitamina D em alimentos enriquecidos ou suplementos de vitamina D e através da exposição parcimoniosa ao sol.

Se você desconfia que possa ter deficiência de vitamina D, procure um endocrinologista e faça uma avaliação.

Fonte: UpToDate OnLine

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O papel da lorcaserina no tratamento medicamentoso do excesso de peso

No final de 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) deu aval positivo para um novo medicamento inibidor do apetite, a lorcaserina. Desde 2012, a lorcaserina já está disponível para tratamento do excesso de peso nos Estados Unidos. O medicamento está indicado como adjuvante a medidas de mudança no estilo de vida (reeducação alimentar e atividades físicas) em pacientes com índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m2, isto é, com diagnóstico de obesidade. Pacientes com sobrepeso acompanhado de comorbidades como diabetes mellitus tipo 2, elevação do colesterol e apneia do sono também são candidatos ao tratamento quando o IMC for maior ou igual a 27 kg/m2.



Farmacologicamente, a lorcaserina é considerada um agonista seletivo do receptor 2C da serotonina. Tanto em animais quanto em seres humanos, a interação da serotonina com o receptor 2C é capaz de diminuir o apetite. Agonista é uma molécula que "finge" ser outra, isto é, a lorcaserina "finge" ser serotonina para poder interagir com o receptor 2C e diminuir o apetite. outros agonistas da serotonina, como a fenfluramina e a dexfenfluramina, já foram usados como inibidores do apetite no passado. No entanto, acabaram sendo retirados do mercado pois causavam doenças nas válvulas do coração. Esse efeito adverso ocorria porque a fenfluramina/dexfenfluramina NÃO eram agonistas específicos do receptor 2C. Isto é, interagiam também com os receptores 2A e 2B da serotonina. E a interação com o receptor 2B parece ser a responsável pelos problemas cardíacos.
A lorcaserina tem um perfil de tolerabilidade bom. Entre os efeitos adversos mais frequentes estão dor de cabeça, tontura, náusea e dor nas costas. Nos estudos disponíveis até o momento, que duraram até 2 anos, seu uso não causou problemas ao coração. Por sinal, a lorcaserina ajudou a baixar a pressão arterial, os níveis de colesterol LDL (ruim) e de glicose.
Quanto ao efeito sobre o peso, não é um medicamento dos mais potentes. A redução costuma ser discreta: média de 3 a 4 quilos quando comparada ao placebo (comprimido sem efeito). Além disso, muitos dos pacientes que começaram os estudos clínicos abandonaram o tratamento antes do final. Ou seja, na vida real, o resultado pode ser ainda menor. No maior estudo, 5 em cada 10 pacientes que usaram a lorcaserina perderam pelo menos 5% do peso. Já entre os pacientes que tomaram placebo, 2 em cada 10 conseguiram perder pelo menos 5% do peso.
A lorcaserina é contraindicada em pacientes com comprometimento grave da função renal, em gestantes e em pacientes que façam uso de outros medicamentos que ajam sobre a serotonina.
Apesar de estar aprovado pela ANVISA, a lorcaserina ainda não está disponível nas farmácias. Possivelmente será lançado no decorrer do ano de 2017. Aguardemos!

Referência:
1- Smith SR, Weissman NJ, Anderson CM, Sanchez M, Chuang E, Stubbe S, Bays H, Shanahan WR, Behavioral Modification and Lorcaserin for Overweight and Obesity Management (BLOOM) Study Group. Multicenter, placebo-controlled trial of lorcaserin for weight management. N Engl J Med. 2010;363(3):245. 

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O tratamento do hipotireoidismo com hormônio da tireoide pode aumentar o peso?

Já não é a primeira vez que digo: "A internet é uma ótima fonte de informações, desde que se saiba filtrar o que é confiável". Entre tanta besteira que circula na rede, uma me chamou a atenção pelo tamanho do absurdo que advoga: hormônio de tireoide engorda. Antes de qualquer coisa, não, hormônio de tireoide não engorda. E também não deve ser usado como auxiliar no emagrecimento. Vamos entender o porquê...



Pacientes com hipotireoidismo, isto é, diminuição na produção do hormônio tireoidiano, costumam apresentar uma lentificação no metabolismo dos glicosaminoglicanos, substâncias encontradas em diferentes tecidos, especialmente sob a pele. Os glicosaminoglicanos ajudam a manter o turgor cutâneo retendo água, logo, com sua metabolização mais lenta, o paciente com hipotireoidismo acaba retendo mais líquido do que o normal, seu peso aumenta. Em alguns casos, a retenção de água chega a diluir e reduzir os níveis de sódio no sangue. O ganho de peso decorrente desse "inchaço" costuma ser pequeno: em torno de 3 quilos, assim como também é pequena a redução de peso quando o tratamento é iniciado. Logo, podemos concluir, que em grande parte dos casos, a culpa por grandes aumentos de peso NÃO é da tireoide, mas de hábitos inapropriados: alimentação errada e sedentarismo.
Apesar deste conhecimento científico estar consolidado há décadas, eis que surgem acusadores do "tratamento convencional". Segundo esta minoria, o culpado pelo ganho de peso no hipotireoidismo seria seu próprio tratamento! Ou melhor, no sódio presente no hormônio comercialmente disponível não só no Brasil como na maioria dos países do mundo: a levotiroxina sódica. E a solução para "desinchar" seria simples, usar fórmulas manipuladas sem sódio. Explicação equivocada, sensacionalista e perigosa à saúde!
Como explicado anteriormente, em grande parte dos casos, o hipotireoidismo nem é o real culpado pelo ganho de peso, mas sim um estilo de vida pouco saudável. A quantidade de sódio na levotiroxina sódica é insignificante e incapaz de causar qualquer tipo de retenção hídrica. Existem outras formas de levotiroxina disponíveis em outros países. As cápsulas de gelatina mostraram uma absorção superior aos comprimidos em casos específicos de pacientes com distúrbios da secreção gástrica. Já a forma líquida está disponível para a venda apenas na Itália com indicação semelhante as cápsulas gelatinosas.
Não é recomendada a manipulação da levotiroxina por ser considerada um medicamento com margem terapêutica estreita. Isto quer dizer que pequenas mudanças na dose, podem causar alterações grandes nos exames e no bem estar do paciente. A indústria farmacêutica procura tomar medidas para garantir a qualidade de suas levotiroxinas como uniformizar a procedência da matéria prima, produzir em local único e usar embalagens de duplo alumínio. Medicamentos com margem terapêutica estreita, especialmente em doses micronizadas (um micrograma é a milésima parte de um miligrama), podem não ser manipulados corretamente em farmácias. Além disso, o uso de lotes de diferentes fornecedores, qualquer erro de calibração no processo de manipulação ou mesmo o armazenamento em embalagens inapropriadas podem diminuir a qualidade e a eficácia da medicação. E isto torna muito difícil o ajuste da dose para cada caso.
Por fim, ao pesquisar sobre temas de saúde na internet de preferência a sites confiáveis, escritos por sociedades médicas e profissionais sérios. Sempre desconfie dos "donos da verdade" que se dizem inovadores, dão a entender que qualquer médico que não compactue com suas condutas absurdas seja um fracassado e invejoso. Não infrequentemente estes "profissionais" apresentam uma série de processos éticos e judiciais no "currículo" e se vitimizam por isso. Vender informações distorcidas em cursos de qualidade questionável é seu ganha-pão. E informação de qualidade não se vende. Se compartilha! Fica a dica.

Referências:
1 - Douglas S Ross. Treatment of hypothyroidism. UpToDate On Line.

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

domingo, 11 de dezembro de 2016

Fazendo uso correto da levotiroxina (hormônio tireoidiano)

O paciente que faz tratamento com levotiroxina, o hormônio tireoidiano, deve atentar para alguns detalhes importantes. O objetivo das recomendações a seguir é facilitar o ajuste da dose, assim como mantê-la estável.



Recomendação 1

Sempre informe seu endocrinologista do horário e maneira como está tomando a levotiroxina. A recomendação da bula é tomar o hormônio de estômago vazio, na primeira hora da manhã, idealmente 1 hora antes do café, já que alimentos podem interferir na absorção dos comprimidos. No entanto, em algumas situações, seu médico poderá fazer alguma recomendação diferente, adaptando o tratamento as suas necessidades.


Recomendação 2

Informe seu médico da marca do medicamento em uso e se foram feitas mudanças recentes na dosagem ou na marca. Nestes casos, é recomendado repetir a dosagem do TSH para se certificar que a nova apresentação ou dosagem está de acordo com suas necessidades.


Recomendação 3

Avise seu médico sobre o uso de outros medicamentos. Alguns medicamentos de uso corrente podem interferir na função tireoidiana e fazer com que a dose de levotiroxina precise ser ajustada.
São medicamentos que podem exigir aumento da dose da levotiroxina: lítio, amiodarona, xaropes para tosse, carbonato de cálcio, sulfato ferroso, omeprazol entre outros.
São medicamentos que podem exigir diminuição da dose da levotiroxina: amiodarona, medicamentos contendo iodo ou que interfiram na imunidade.


Recomendação 4

Crie uma rotina e tome a levotiroxina todos os dias da mesma maneira. Eventualmente, se esquecer de tomar a medicação, ingira o comprimido assim que puder, independentemente do horário. Faça disso a exceção e não a regra. A tomada diária, de maneira correta, é importante para se manter os níveis hormonais estáveis.


Vídeo 1: Como tomar corretamento o hormônio da tireoide?



Vídeo 2: O que fazer quando esquecer de tomar o hormônio da tireoide?



Siga corretamente as recomendações acima e visite regularmente seu endocrinologista.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista titulado pela SBEM
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CREMERS 30.576 - RQE 22.991
Santa Maria - RS

Texto revisado em 26 de junho de 2020.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Beber água pode ajudar a perder peso

Tão importante quanto o que se come, é o que se bebe. Enquanto bebidas como refrigerantes e sucos processados estão associados ao ganho de peso e ao surgimento de problemas de saúde como diabetes mellitus e doenças cardiovasculares, o consumo de água pode dar uma forcinha na redução do peso.



Um estudo publicado em 2010 na revista médica Obesity avaliou se a ingestão de água antes das principais refeições poderia ajudar na redução do peso. Os pesquisadores dividiram 48 adultos, com idade entre 55 e 75 anos e sobrepeso ou obesidade em dois grupos. Um grupo recebeu apenas orientação de dieta com redução de calorias. O outro grupo, além da mesma dieta, recebeu a orientação de ingerir 500 mL (meio litro) de água antes da principais refeições. Após 12 semanas, o grupo que bebia o equivalente a 2 copos de água imediatamente antes do almoço e da janta emagreceu cerca de 2 quilos a mais em comparação ao grupo que não foi orientado a beber água. Uma redução de 44 porcento! segundo a avaliação dos pesquisadores, beber água antes das refeições diminuiu em média 40 calorias no tamanho da porção. Parece pouco, mas ajudou a fazer a diferença a longo prazo.
Como trata-se de uma medida comportamental simples e barata para ajudar na redução do peso, vale muito criar o hábito de beber 2 copos de água antes das principais refeições. Também vale eliminar refrigerantes e outras bebidas calóricas. Sua saúde agradece!

Fonte:
1- Dennis EA, Dengo AL, Comber DL, Flack KD, Savla J, Davy KP, Davy BM. Water consumption increases weight loss during a hypocaloric diet intervention in middle-aged and older adults. Obesity (Silver Spring). 2010 Feb;18(2):300-7.

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Disfunção mínima da tireoide: o hipertireoidismo subclínico

Por diversas vezes são realizados exames de laboratório pelos mais diversos sintomas ou como parte de avaliação médica de rotina. Alguns exames podem apresentar alterações discretas, entre eles os hormônios da tireoide.
O hipertireoidismo subclínico é a disfunção mínima da tireoide caracterizada por níveis baixos de TSH e normais de T4 e T3 livres. É uma condição de diagnóstico laboratorial, já que apresenta sintomas vagos e inespecíficos, apesar de algumas pessoas referirem palpitações, ansiedade e calor excessivo, principalmente se o TSH estiver abaixo de 0,1 mU/L.
A estimativa atual é de que aproximadamente duas em cada 100 pessoas sejam acometidas pelo hipertireoidismo subclínico. Idosos e mulheres, com maior frequência.



Entre as principais causas de hipertireoidismo subclínico estão:
– uso excessivo de hormônio tireoidiano;
– bócio difuso tóxico (Doença de Graves);
– tireoidites.
Apesar de muita controvérsia, estudos sugerem que o hipertireoidismo subclínico esteja associado a arritmias cardíacas (principalmente à fibrilação atrial), aumento do risco de morte por problemas cardíacos em homens idosos e diminuição da massa óssea em mulheres após a menopausa. Contudo, o quanto o tratamento é capaz de ajudar nessas questões ainda é motivo de pesquisa.
O tratamento deve ser individualizado. Leva-se em consideração a causa do hipertireoidismo subclínico, a idade e o sexo do paciente, assim como os níveis de TSH. Por exemplo, para pacientes com mais de 65 anos e TSH menor que 0,1 mU/L recomenda-se tratamento devido ao risco de arritmias. Já pacientes jovens, com TSH entre 0,1 e 0,4 mU/L e assintomáticos, podem ser apenas acompanhados sem tratamento já que possuem chance de 50% de reverter espontaneamente o hipertireoidismo subclínico dentro de 5 anos.
Caso você tenha feito algum exame de tireoide e este tenha mostrado resultados alterados, procure um endocrinologista e faça uma avaliação. É importante para que se escolha a melhor abordagem terapêutica.


Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576