sábado, 18 de abril de 2015

Avalição da coluna vertebral em pacientes com diminuição da massa óssea

A densitometria é o exame que avalia a massa óssea

A densitometria óssea é importante na avaliação do risco de fraturas associadas à diminuição da massa óssea. Tanto o quadril quando a coluna lombar são avaliados através deste exame. Pacientes com escore T menor que -2,5 recebem o diagnóstico de osteoporose e devem ser devidamente avaliados e tratados. Já os indivíduos com escore T menor que -1,0, recebem o diagnóstico de osteopenia. Contudo, se já tiverem sofrido alguma fratura, os pacientes com osteopenia devem ser abordados de maneira idêntica aos quem têm osteoporose.

Exame de raio-X mostrando fratura vertebral.


A pesquisa de fraturas é importante, pois muda a abordagem  terapêutica

Algumas fraturas, como a do colo do fêmur e do punho, são de fácil diagnóstico. Já as fraturas vertebrais podem passar despercebidas devido a ausência de sintomas. Mas quem deve ser investigado para fraturas vertebrais assintomáticas? Segundo a International Society for Clinical Densitometry, todo paciente com escore T menor que -1,0 mais um dos critérios abaixo, merece investigação através de exames de imagem:
- mulheres com 70 anos ou mais ou homens com 80 anos ou mais;
- redução da estatura maior que 4 centímetros;
- qualquer relato de fratura na coluna;
- tratamento com corticoides por mais de 3 meses (prednisona 5 mg ou equivalentes).


Referência:
1- International Society for Clinical Densitometry (ISCD): Official positions – Adult.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista titulado pela SBEM
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CREMERS 30.576 - RQE 22.991
Santa Maria - RS


Texto revisado em 22 de novembro de 2020.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Métodos anticoncepcionais após a cirurgia bariátrica

Mulheres são o principal público da cirurgia bariátrica

A cirurgia para obesidade ou bariátrica tem sido crescentemente utilizada como tratamento de casos graves de obesidade. Estudos apontam que mais de 80% das pessoas submetidas a este tipo de tratamento são mulheres, e destas, metade está em idade reprodutiva. Logo, cada vez mais mulheres que realizaram cirurgias bariátricas procuram por informações sobre planejamento familiar.


Bypass gástrico em Y de Roux
Bypass gástrico em Y de Roux


A cirurgia bariátrica recupera a fertilidade

Após a cirurgia bariátrica, com a redução progressiva do peso, muitas mulheres anteriormente inférteis acabam recuperando a ovulação. Pacientes com síndrome dos ovários policísticos, por exemplo, melhoram sua sensibilidade à insulina e reduzem os níveis de hormônios andrógenos. Como consequência, voltam a apresentar ciclos menstruais e recuperam sua fertilidade. Em um estudo, 15 de 32 mulheres com dificuldades de engravidar, acabaram gestando após a cirurgia bariátrica. Sendo assim, quem quer planejar o momento mais oportuno de ter seus filhos deve atentar para alguns detalhes no momento da escolha do método anticoncepcional.


O bypass gástrico diminui a eficácia da pílula anticoncepcional

Pacientes que se submeteram a procedimentos ditos restritivos, isto é, apenas de redução do tamanho do estômago, não têm restrições específicas relacionadas à cirurgia, podendo qualquer método ser escolhido, desde que conveniente. Já as pacientes submetidas a cirurgias disabsortivas, popularmente chamadas de "desvios", como o bypass gástrico em Y de Roux (figura), devem usar métodos contraceptivos que não sejam por via oral. Neste segundo tipo de cirurgia bariátrica, o intestino é menos capaz de absorver uma série de nutrientes e substâncias, entre eles as pílulas anticoncepcionais. Logo, como o efeito das pílulas é diminuído, não podem ser consideradas um método 100% eficaz. Estas pacientes devem fazer uso de métodos injetáveis, implantes ou de DIUs, conforme indicações do médico.


Referência:
1- Ouyang DW. Fertility and pregnancy after bariatric surgery. UpToDate.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista titulado pela SBEM
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CREMERS 30.576 - RQE 22.991
Santa Maria - RS

Texto revisado em 2 de novembro de 2020.

domingo, 12 de abril de 2015

Opinião: reportagem sobre vitamina D da Superinteressante

Até mesmo boas revistas como a Superinteressante, às vezes erram na dose do sensacionalismo. A vitamina D tem funções biológicas importantes e pode estar associada a uma série de doenças, mas no que se refere a tratamentos, ainda precisa ser melhor estudada. Doenças autoimunes com a esclerose múltipla têm ciclos de atividade e reemissão. Como saber se foi a vitamina D que tratou a doença ou se houve uma melhora espontânea? Os ensaios clínicos estão aí pra isso! Divulgar uma matéria dessa forma pode fazer com que pessoas prefiram tratamentos não embasados, com risco de piora em suas doenças.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

domingo, 8 de março de 2015

Amendoim protege o coração

Pesquisa publicada na revista médica JAMA no mês de março de 2015 mostrou que o consumo regular de amendoim pode ser muito bom para proteger a saúde do coração. Neste estudo mais de 200 mil indivíduos dos Estados Unidos e China foram acompanhados por até 12 anos. Quem consumiu o equivalente a 18 gramas de amendoim por dia apresentou redução significativa no risco de morte por doenças isquêmicas do coração. Os pesquisadores chamam a atenção para o fato do amendoim ser extremamente barato e que o consumo de pequenas porções já seria muito benéfico. Dica: no momento de consumir amendoim, prefira a versão torrada sem sal ou açúcar. Nada de amendoim confeitado!

Fonte: Medscape


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista titulado pela SBEM
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CREMERS 30.576 - RQE 22.991
Santa Maria - RS

Texto revisado em 2 de novembro de 2020.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Remédios que podem alterar exames tireoidianos

Vários medicamentos prescritos por diversos motivos podem alterar exames da tireoide. O médico endocrinologista deve estar familiarizado com esta lista de fármacos para evitar diagnósticos incorretos, além de exames e tratamentos desnecessários.
Podemos classificar os medicamentos que interferem nos exames tireoidianos em três grupos.




Medicamentos que causam hipotireoidismo


1) Causam inibição da fabricação ou da liberação dos hormônios na corrente sanguínea - tionamidas,  lítio, perclorato, aminoglutetimida, talidomida, iodo e medicamentos contendo iodo como amiodarona, contrastes radiográficos,  alguns expectorantes, soluções de iodeto de potássio, antissépticos tópicos.

2) Diminuem a absorção do hormônio tireoidiano (levotiroxina) - colestiramina, colestipol, colesevelam, hidróxido de alumínio, carbonato de cálcio, sucralfato, sulfato ferroso, raloxifeno, omeprazol, lansoprazol e possivelmente outros medicamentos que diminuem a secreção de ácido pelo estômago, sevelemer.

3) Causam desregulação imunológica - interferon alfa, interleucina-2, ipilimumab, alemtuzumab, pembrolizumab.

4) Causa supressão do TSH - dopamina.

5) Pode causar inflamação destrutiva da tireoide - sunitinib.

6) Causa inativação do hormônio tireoidiano - sorafenib.

7) Diminui os níveis de T4 e reduz os níveis de TSH - bexaroteno.


Medicamentos que causam hipertireoidismo


1) Estimulam a fabricação e/ou liberação dos hormônios tireoidianos - iodo, amiodarona.

2) Causam desregulação imunológica - interferon alfa, interleucina-2, ipilimumab, alemtuzumab, pembrolizumab.


Medicamentos que alteram os exames sem alterar a função da tireoide


1) Reduzem a TBG - andrógenos, danazol, glicocorticoides, ácido nicotínico, l-asparaginase.

2) Aumentam a TBG - estrógenos, tamoxifeno, raloxifeno, metadona, 5-fluouracil, clofibrato, heroína, mitotano.

3) Diminuem a ligação do T4 a TBG - salicilatos, salsalato, furosemida, heparina, alguns anti-inflamatórios.

4) Aumenta a retirada do T4 da circulação - fenitoína, carbamazepina, rifampina, fenobarbital.

5) Suprime a secreção de TSH - dobutamina, glicocorticoides, octreotide.

6) Dificulta a conversão de T4 em T3 - amiodarona, glucocorticoides, ácido iopanoico, propiltiouracil, propranolol, nadolol.


Adaptado de UpToDate OnLine.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista titulado pela SBEM
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CREMERS 30.576 - RQE 22.991
Santa Maria - RS


Texto revisado em 18 de outubro de 2020.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Agora sim, suco!

No mês de agosto de 2014 tive a oportunidade de participar do Workshop de Saúde e Bem-estar 2014 Coca-Cola. Neste evento, diversos profissionais de saúde debateram questões relacionadas a bebidas como processos produtivos, aditivos alimentares, quantidade de açúcar, entre outros temas. Foi consenso entre os participantes de que a indústria deve procurar oferecer opções mais saudáveis, com menos aditivos e com menor teor de açúcar adicionado. Seis meses após, pude perceber que o debate começou a render frutos. Recebi por correio duas caixinhas de suco Del Valle (fotos abaixo), agora sim suco e não néctar! Para quem não está familiarizado, a legislação brasileira só permite o uso do termo "suco" para bebidas que sejam elaboradas com 100% polpa de fruta. Os néctares tem 30 a 50% de fruta e o restante geralmente é composto de água e açúcar. Trata-se de um avanço, mas algumas ressalvas merecem ser feitas.
Apesar de ser 100% polpa de fruta, os sucos são bebidas calóricas, logo devem ser consumidos dentro de uma dieta equilibrada e com moderação. Apesar de mais práticos, os sucos industrializados perdem algumas propriedades importantes como vitaminas e fibras. Isto é, apesar deste lançamento ser melhor que um néctar, não é melhor que um suco natural feito na hora. Por fim, alguns estudos mostram que o consumo regular de bebidas doces, sejam elas refrigerantes ou sucos, está associado a uma maior frequência de problemas de saúde como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. Então, procure um profissional de saúde, equilibre sua dieta, coma 5 porções de frutas e vegetais todos os dias, mantenha uma vida ativa, beba muita água e, eventualmente, consuma sucos, de preferência feitos na hora.




Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista titulado pela SBEM
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CREMERS 30.576 - RQE 22.991
Santa Maria - RS

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Excesso de andrógenos se associa a problema cardíacos em mulheres

Testosterona em excesso pode prejudicar o coração

Excesso nos níveis dos hormônios androgênicos, isto é, hormônios responsáveis pelos caracteres sexuais secundários em homens (barba, por exemplo), também conhecidos com "hormônios masculinos", está associado a aumento de risco de doenças cardíacas e vasculares em mulheres.


Alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos são responsáveis pelo maior risco

Este tipo de alteração hormonal é comum em mulheres com síndrome dos ovários policísticos. O excesso de andrógenos como testosterona parece ser responsável pela redução dos níveis do colesterol HDL (bom), aumento dos níveis de triglicerídeos e maior proporção de partículas pequenas do colesterol LDL (ruim). Estas mudanças no perfil lipídico aumentam a chance de entupimento dos vasos sanguíneos e doenças dos coração. Logo, convém que toda mulher com diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos ou manifestações de excesso de andrógenos como hirsutismo (pelos em excesso) seja avaliada por um endocrinologista.



Referência:
1- Conway GS, Agrawal R, Betteridge DJ, Jacobs HS. Risk factors for coronary artery disease in lean and obese women with the polycystic ovary syndrome. Clin Endocrinol (Oxf). 1992;37(2):119.


Quer mais informações sobre a síndrome dos ovários policísticos? Separei três vídeos sobre o assunto...


1- Diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos



 2- Avaliação laboratorial da síndrome dos ovários policísticos



3- Vantagens do uso da pílula anticoncepcional na síndrome dos ovários policísticos



Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista titulado pela SBEM
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CREMERS 30.576 - RQE 22.991
Santa Maria - RS


Texto revisado em 18 de outubro de 2020.