domingo, 20 de setembro de 2015

Cistos de tireoide: avaliação e tratamento

Cistos ou nódulos císticos de tireoide são lesões parcial ou completamente preenchidas por fluido. São muito frequentes, podendo corresponder à metade dos nódulos tireoidianos. A maioria é assintomática e descoberta ao acaso, mas sintomas como dor ou sensação de aperto no pescoço podem ocorrer dependendo do tamanho da lesão.
De acordo com as células que os constituem, os nódulos císticos podem ser benignos (adenoma) ou malignos (carcinoma, isto é, câncer de tireoide). Felizmente, a grande maioria destas lesões é benigna. Estima-se que apenas 2 de cada 100 nódulos císticos sejam malignos. Além disso, as lesões com um componente cístico maior, isto é, com mais fluido do que células, têm um risco menor de serem malignas.

Ecografia de tireoide mostrando nódulo cístico

Na avaliação dos nódulos císticos de tireoide são fundamentais: a história clínica do paciente, a dosagem do TSH, a ecografia e a punção aspirativa com agulha fina (PAAF). Cistos simples só precisam ser puncionados se houver necessidade de drenagem, pois são virtualmente sempre benignos. Nódulos císticos com componente sólido devem ser puncionados quando maiores que 1,0-2,0 centímetros de diâmetro, dependendo de suas características à ecografia, para afastar o diagnóstico de câncer. Por exemplo, se o componente sólido for hipoecoico e com microcalcificações, o nódulo cístico precisará ser puncionado se tiver mais de 1 centímetro. Se o nódulo tiver aspecto esponjoso, só precisará ser puncionado se for maior que 2 centímetros.
O tratamento dos nódulos císticos de tireoide depende do resultado da PAAF. Lesões malignas devem ser retiradas através de cirurgia. Lesões benignas podem ter seu conteúdo líquido aspirado, serem operadas ou simplesmente observadas. Existe ainda a possibilidade de injeção de álcool dentro do cisto após a aspiração do fluido, especialmente quando o volume for grande ou se houve recidiva após uma primeira drenagem.
Se você tem qualquer lesão na tireoide, seja ela cística ou não, procure um endocrinologista para avaliação diagnóstica e terapêutica.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

domingo, 13 de setembro de 2015

Será que meu filho está baixinho? Saiba quando desconfiar de baixa estatura

O que é baixa estatura?

Uma criança ou adolescente é considerada com baixa estatura quando está 2 desvios-padrões abaixo da média idade e sexo, ou seja, quando fica fora dos canais de crescimento nos gráficos. Mais importante do que um medida isolada da estatura, são as medidas consecutivas, que dão informação sobre a velocidade de crescimento. Logo, o acompanhamento regular com o pediatra, mesmo na criança saudável, é fundamental para que se identifiquem aquelas que necessitam de avaliação complementar. Outra maneira de desconfiar de baixa estatura é observando se a criança tem a mesma altura que as outras da mesma idade, embora a avaliação através dos gráficos de crescimento seja muito mais apropriada.



Quais as causas de baixa estatura?

Existem diversas causas de baixa estatura. Estas vão desde doenças genéticas, doenças crônicas (anemia, asma, doenças renais e cardíacas, entre outras), problemas emocionais, doenças esqueléticas e doenças endocrinológicas (raquitismo, diabetes mellitus mal controlado, deficiência do hormônio do crescimento, hipotireoidismo, doenças da adrenal e distúrbios da puberdade).

Como é feita a avaliação da baixa estatura?

A avaliação é feita através da história detalhada da criança desde o nascimento. São avaliados medicamentos em uso, presença de doenças e o desenvolvimento sexual. É importante, se possível, que ambos os pais compareçam a consulta, pois deverão ser medidos para que se possa calcular a altura alvo da criança. Dependendo da avaliação clínica inicial, podem ser pedidos exames gerais, além de raio-x da mão para avaliação da cartilagem de crescimento. Conforme os resultados dessa primeira leva de exames, podem ser necessários testes específicos para confirmação dos diferentes diagnósticos.

Como é feito o tratamento da baixa estatura?

O tratamento depende da causa, sendo que para algumas condições não existe tratamento específico. Por exemplo, na criança com hipotireoidismo, se repõe o hormônio tireoidiano; já na criança com diabete, trata-se a doença apropriadamente.
Ao contrário do que se pensa, o hormônio do crescimento não está indicado para todas as crianças com problemas de crescimento e sim para aquelas com deficiência comprovada ou em grupos selecionados, como meninas com síndrome de Turner ou crianças com insuficiência renal crônica. O tratamento é mantido até o final do crescimento e em alguns casos indefinidamente.
Nas crianças que precisam de tratamento específico, quanto antes este for iniciado, melhores serão os resultados. Logo, quando se identifica ou se desconfia de problemas no crescimento, a criança deve ser prontamente avaliada. Retardar a avaliação esperando que seu filho(a) vá crescer depois pode trazer prejuízos irreparáveis a estatura final.

Se você ou o pediatra percebeu ou desconfia que seu filho(a) possa estar crescendo menos que o esperado, agende consulta com o endocrinologista para avaliação pormenorizada.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

domingo, 6 de setembro de 2015

Osteoporose: entenda e evite fraturas

O que é osteoporose?

Osteoporose é uma doença que deixa os ossos mais fracos, o que aumenta o risco de fraturas. Algumas vezes, uma simples queda da própria altura dentro de casa é suficiente para que o osso acometido pela osteoporose quebre.



Como se faz o diagnóstico de osteoporose?

A osteoporose não causa sintomas até que o osso quebre. Logo, para se fazer o diagnóstico é necessária a realização de um tipo especial de raio-x chamado DENSITOMETRIA ÓSSEA. A densitometria óssea é recomendada para mulheres após os 65 anos e para homens após os 70 anos. Conforme avaliação médica, o exame também pode ser pedido para pacientes com idade menor que 65 anos, que tenham fatores de risco, ou seja, condições que aumentem a chance de se ter osteoporose.
Os fatores de risco para osteoporose são:
- fumo;
- uso de corticoides;
- baixo peso;
- artrite reumatoide;
- história de fraturas prévias após pequenos traumas (queda da própria altura, por exemplo) em si mesmo ou nos pais;
- uso excessivo de álcool;
- doenças como diabetes mellitus, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, falência ovariana precoce (antigamente chamada de menopausa precoce), doenças que causam má absorção dos nutrientes no intestino e doenças do fígado.

Como se previne a osteoporose?

Ajudam a prevenir a osteoporose:
- comer alimentos ricos em cálcio como leite e derivados;
- comer alimentos ricos em vitamina D como leites fortificados e salmão;
- tomar sol moderadamente;
- fazer atividade física pelo menos 30 minutos por dia;
- não fumar;
- não beber em excesso.

Como se trata a osteoporose?

A osteoporose é tratada com uma ingestão adequada de cálcio e vitamina D e com remédios que ajudam a fortalecer o osso, chamados bisfosfonados. Algumas vezes a osteoporose é causada por outra doença. Nestes casos, o tratamento é voltado primeiramente para esta causa.
O tratamento é avaliado em intervalos regulares de 1 a 3 anos através da densitometria óssea. Em alguns casos também podem ser pedidos exames de sangue e de urina.

Se você é mulher com mais de 65 anos, homem com mais de 70 anos ou possui fatores de risco para osteoporose, procure seu endocrinologista e faça uma avaliação.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

De onde vêm os nódulos de tireoide?

Nódulos de tireoide são frequentes. Dependendo da população estudada, a prevalência deste problema pode chegar a 75 por cento! Após os 40 anos de idade, pelo menos uma em cada dez pessoas terá um nódulo tireoidiano. Apesar de serem comuns, os nódulos de tireoide acabam gerando apreensão, já que cerca de cinco por cento são malignos.
Grande parte dos pacientes com nódulos de tireoide faz a pergunta: "De onde veio este nódulo? Por que ele apareceu?". Apesar do grande avanço científico, esta pergunta não é tão simples de ser respondida...



Grande parte dos nódulos de tireoide, sejam eles benignos ou malignos, é causada por mutações em genes específicos. Por exemplo, pacientes com bócios multinodulares geralmente possuem nódulos coloides. Este tipo de nódulo é formado por clones celulares, ou seja, por uma população de células derivada de uma única ou de poucas células que se dividiram em um ritmo e um padrão diferente do restante da glândula  tireoide, levando à formação do tecido em formato de caroço, que chamamos de nódulo.
Muitas mutações genéticas que levam a esta proliferação celular desordenada já foram identificadas. No entanto, as causas exatas de cada mutação ainda estão sendo investigadas.
Apesar dos fatores desencadeadores da formação dos nódulos ainda não terem sido completamente identificados, existem alguns "suspeitos". Estão associados à presença de nódulos ou de bócio:
- tabagismo, especialmente em áreas deficientes de iodo.
- consumo regular de álcool, principalmente em mulheres.
- aumento da idade. Como dito anteriormente, pessoas mais idosas tendem a desenvolver mais nódulos.
- história de radioterapia ou transplante de medula óssea.
- níveis elevados de IGF-1, hormônio produzido no fígado através do qual o hormônio do crescimento atua nos diferentes tecidos.
- mulheres com miomas uterinos têm uma incidência maior de nódulos de tireoide.
Por outro lado, também existem fatores associados a uma menor ocorrência de nódulos. São eles:
- uso de pílula anticoncepcional.
- uso de estatinas (medicamento para redução do colesterol).
Por que cada um destes fatores favorece ou dificulta o surgimento das mutações genéticas que levam a multiplicação celular desorganizada e, consequentemente, aos nódulos, ainda é tema de estudos...
Apesar de não existirem recomendações específicas para prevenção de nódulos de tireoide, não custa abandonar o fumo e não abusar de bebidas alcoólicas, já que esses dois hábitos podem causar outros abalos à saúde. Fica a dica!
Fonte: UpToDate

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576