domingo, 28 de dezembro de 2014

Liraglutide aprovado para tratamento de excesso de peso nos EUA

Em dezembro de 2014, o FDA, órgão americano responsável pela regulamentação de medicamentos, aprovou o uso do antidiabético agonista do GLP-1 liraglutide (Victoza, Novo Nordisk) para tratamento de excesso de peso e obesidade. Nos EUA, a apresentação para emagrecimento terá o nome de Saxenda, pois a dose aprovada para tratamento do excesso de peso é maior que a usada para tratar diabetes - 3 versus 1,8 mg por dia.
Liraglutide 3 mg recebeu aprovação para uso em pacientes com IMC (índice de massa corporal) maior ou igual a 30 kg/m2 ou maior ou igual a 27 kg/m2 associados a comorbidades (pressão alta, diabetes ou colesterol alto, por exemplo). Os pacientes que receberem o tratamento deverão ser reavaliados dentro de 16 semanas e ter o tratamento suspenso caso não tenham perdido ao menos 4% do peso inicial. Entre os efeitos adversos associados ao tratamento estão náuseas (39%), diarreia (21%) e vômitos (16%).
A liberação do uso do liraglutide vem com algumas ressalvas. Até o momento, os dados disponíveis se limitam a 12 meses de tratamento em pouco mais de 5000 pacientes. Logo, dados de segurança a longo prazo ainda inexistem. Apesar da eficácia de redução de 8% do peso contra 2,6% do placebo, ainda existem dúvidas quanto a risco de câncer de tireoide e pancreatite, devendo médico e paciente pesarem a relação risco-benefício antes do início do tratamento.
No Brasil, uma caneta de Victoza, que daria para 6 dias de tratamento conforme a recomendação do FDA, custa cerca de 200 reais. Isto é, no nosso meio o tratamento custaria 1000 reais por mês (!), algo proibitivo para a maioria da população.
Fonte: Medscape


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

domingo, 21 de dezembro de 2014

Pontos do teste do monofilamento

Na avaliação dos pés do paciente diabético, usamos um monofilamento de 10 gramas para avaliar a sensibilidade à pressão em 12 pontos (6 em cada pé), onde mais comumente ocorrem úlceras (feridas). A perda de sensibilidade ao monofilamento em qualquer um dos pontos eleva o risco de úlceras nos pés. O teste é simples, rápido, barato e muito informativo. Abaixo, figura com os pontos a serem avaliados pelo médico endocrinologista.
Fonte: UpToDate OnLine


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Avaliação oftalmológica do paciente diabético

Segundo a Associação Americana do Diabetes (ADA), todo paciente diabético, como parte de sua rotina, deve ter avaliações regulares da retina. A retina é a camada mais interna do olho responsável em transformar a luz visível em impulsos nervosos que serão transmitidos ao nosso cérebro. O diabetes pode levar a danos da retina, ou retinopatia, causando perda da visão e cegueira.
A avaliação oftalmológica recomendada é a seguinte...

Pacientes diabéticos do tipo 1: primeira avaliação 5 anos após o diagnóstico. Se não houver sinais de retinopatia, a avaliação poderá ser refeita a cada 2 anos.

Pacientes diabéticos do tipo 2: primeira avaliação no momento do diagnóstico. Se não houver sinais de retinopatia, a avaliação poderá ser refeita a cada 2 anos.

Gestantes com diabetes pré-gestacional: mulheres diabéticas que engravidaram devem avaliar o fundo do olho já no primeiro trimestre da gestação. Conforme os achados, o médico oftalmologista definirá o melhor seguimento, que costuma ser feito de perto já que existe risco de progressão rápida da doença na retina durante a gravidez.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

Avaliação da retina do diabetes tipo 2

Diferentemente do diabetes mellitus tipo 1, pacientes com diabetes mellitus tipo 2 já devem ser encaminhados ao médico oftalmologista para avaliação do fundo do olho no momento do diagnóstico. Diferentes estudos (figura abaixo) mostram que 10 a 20% das pessoas diabéticas do tipo 2 já têm problemas na retina no momento do diagnóstico! Fica a dica...

Fonte: UpToDate OnLine



Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

11 passos do monitoramento do paciente com diabetes mellitus

O diabetes mellitus é uma doença crônica, isto é, não tem cura. Toda doença crônica precisa ser monitorada para que se evite progressão e complicações. No caso do diabetes, os cuidados são os seguintes:
1- Aconselhamento a abandonar o cigarro: todo paciente diabético fumante deve ser abordado em TODAS as consultas sobre os malefícios do tabaco, além de ser incentivado a abandonar este hábito.
2- Pressão arterial: deve ser medida em toda consulta e mantida abaixo de 140/80 mmHg.
3- Exame do fundo do olho: nos pacientes com diabetes tipo 2, deve ser feito já no diagnostico. No diabetes tipo 1, cinco anos após o diagnóstico. Este exame poderá ser repetido a cada 1 ou 2 anos dependendo dos achados. Intervalos menores podem ser necessários conforme orientação do médico oftalmologista.
4- Exame do pés: deve ser realizado anualmente. Caso se observe alguma normalidade, o exame será repetido a cada nova visita.
5- Exame odontológico: todo paciente diabético deve procurar o dentista pelo menos uma vez ao ano. A doença periodontal, apesar de não ser mais frequente, é mais grave no diabetes.
6- Avaliação do perfil lipídico: exames do colesterol e triglicerídeos devem ser realizados anualmente.
7- Hemoglobina glicada: um dos parâmetros mais importantes, mostra o controle da glicose do paciente diabético. Deve ser realizado em intervalos de 3 a 6 meses, dependendo do caso.
8- Albuminúria: o exame de urina que mostra dano inicial nos rins deve ser feito no momento do diagnóstico em pacientes diabéticos tipo 2 e cinco anos após o diagnóstico em pacientes diabéticos tipo 1. Caso esteja normal, deverá ser repetido anualmente.
9- Creatinina: a avaliação da função dos rins deve ser realizada anualmente ou com maior frequência se houver indicação.
10- Vacinação: o paciente diabético deve estar vacinado para pneumonia, gripe, hepatite B e tétano. É importante avaliar o calendário vacinal.
11- Educação: o aprendizado é contínuo. A cada nova consulta, dúvidas devem ser sanadas e novas habilidades ensinadas para melhorar o autocuidado e a qualidade de vida.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576